À Mesa com… Roberta Medina

    À Mesa com… Roberta Medina

    Roberta Medina, Risoto (14) (Custom)”Portugal tem uma coisa muito boa na cultura de receber, é tudo feito sem stress (…) E essa é a melhor das partes de receber os amigos. Todo o mundo vai ajudando, todo o mundo se serve, vai na geladeira e tira uma fresquinha, é tão bom. Adoro isso.”

    – Roberta Medina

     

    De sorriso solto e conversa fácil, Roberta Medina fala com uma energia vibrante, retrato sincero da mulher que comanda o Rock in Rio Lisboa, desde a sua primeira edição, em 2003. RIR, sigla do ROCK IN RIO, combina na perfeição com a sua personalidade.

    Bem-disposta, brincalhona e muito despachada, aceita com facilidade desafios e responde com destreza a todos. A viver em Portugal há dez anos, casada com um português, mãe de uma menina, Lua, agora com 14 meses, Roberta confessa-se uma pessoa de bem com a vida.

    À frente deste mega evento desde os 23 anos, com cargo de vice-presidente executiva, a ela se deve grande parte do sucesso do Rock in Rio. Vive entre pontes aéreas, Rio de Janeiro, Lisboa, a sbilhetes-rock-in-rio-lisboa-2014_dtua profissão assim o exige, mas foi Lisboa a cidade que elegeu para morar. “Aqui é tudo muito mais tranquilo, o tempo usa-se de outra forma. No Rio não temos tempo para nada, é só trabalhar. Come-se nas lanchonetes de rua, em pé e à pressa, ou come-se qualquer coisa muito rápida no escritório. Quando vim para Portugal, fiquei “chocada” ao perceber que ao almoço, se almoçava mesmo. Que se usufruía desse tempo para comer, conversar. No Rio, isso é impensável. Aqui é outra cultura, que eu ‘curto’ muito mais”. 

     

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    Portuguesa de coração

    A conversa flui entre sorrisos e muitas histórias pelo meio. O seu português adocicado, solta de quando em vez expressões de português, de Portugal. Roberta fala com orgulho na sua origem, mas também no facto de cada vez mais se sentir “tuga” (palavra sua) de coração. “Existem muitas coisas que ‘nós’ temos” – e quando diz nós, refere-se aos portugueses – “que são fantásticas. O modo de vida é tão melhor, que só quem conhece bem outras realidades, pode afirmar que aqui, de certa forma, se é feliz. Aqui, temos o privilégio de vivermos com problemas normais que se resolvem, porque temos médicos, escolas, há equilíbrio. No Brasil a discrepância social é enorme. Lá, se tiver problemas de saúde, não sabe se vai ser atendido. Aqui, isso não acontece. Portugal é um país espectacular”. 

    brasil-portugal

    Na cozinha…

    Já na cozinha da Teleculinária, Roberta confessa que não tem grandes aptidões culinárias, apesar de em criança adorar cozinhar. “Quando era criança, gostava imenso de cozinhar, mas as empregadas não me deixavam andar pela cozinha. Aos 16 anos, decidi fazer um cursinho com José Hugo Celidonio, um chefe top lá no Rio e foi com ele que aprendi a fazer a receita que trago hoje”. Relembra que aprendeu algumas coisas interessantes neste curso que esqueceu com o passar do tempo. Só anos mais tarde recuperou alguns ensinamentos. “Passado uns tempos de estar a viver em Lisboa, recebi em minha casa durante uns tempos, uma amiga italiana, que também é chefe, e nessa altura fui reaprendendo algumas das coisas que tinha descoberto com José Hugo. O risotto foi uma delas, saio-me bem sempre que o faço. Mas por norma não cozinho, não há tempo para isso. A cozinha lá da casa funciona como se tivesse lá um chefe Avillez. Encomendo tudo, assunto resolvido e como adoro receber amigos, encomendar facilita”. Ri-se da sua própria forma de estar e simplificar as coisas, pára um instante e afirma: ”Portugal tem uma coisa muito boa na cultura de receber, é tudo feito sem stress. E como a maioria das pessoas não têm empregado, todo o mundo ajuda. E essa é a melhor das partes de receber os amigos. Todo o mundo vai ajudando, todo o mundo se serve, vai na geladeira e tira uma fresquinha, é tão bom. Adoro isso”. 

    Outra cultura

    Com um perfil elegante surge a pergunta da praxe: gosta de comer? E sobre o assunto revela: “Quando era novinha fiz um horror de dietas, comia muito chocolate e bebia imensa “coca-cola” e isso engorda prá caramba, como sabemos né?! Agora estou de greve. Temos de viver em equilíbrio e, à medida que nos vamos equilibrando, vamo-nos ajustando e ficando bem. Com o ritmo de trabalho que tenho, confesso que não sou certinha na alimentação. Tenho uma gastrite emocional, sou obrigada aRoberta Medina, Risoto (26) (Custom) comer qualquer coisa de 3 em 3 horas, uma peça de fruta, uma cenoura, tem de ser. Tenho necessidade de mastigar, mas a verdade, é que troco tudo isto por um bom petisco”. Quanto à gastronomia portuguesa, refere: ”É riquíssima, é difícil achar alguma coisa ruim. De um modo geral, as pessoas têm o dom da culinária. Eu não como carnes vermelhas, nem porco, não dá para comer um cozido à portuguesa ou algo parecido, pois tem muita gordura”. Com uma alimentação feita à base de aves, peixes e saladas. Lembra-se da primeira vez que pediu uma salada em Portugal. “Fiquei a olhar para o prato a tentar perceber o que me estavam a servir. Tomate, alface e pouco mais, que coisa tão simples. Foi difícil adaptar-me, no Brasil as saladas possuem tantas alternativas que senti muita diferença, custou a adaptar-me”. 

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    A sopa da Lua

    Muita coisa mudou de há dez anos a esta parte. Casou, foi mãe, a sua perspectiva do mundo mudou radicalmente. “Sempre quis ser mãe, estar presente nos momentos mais importantes da minha filha é fundamental. Às vezes não dá, especialmente quando estou em preparação de mais uma edição de Rock in Rio Lisboa, mas há coisas de que não prescindo. Quando a Lua entrou na fase das sopas, entendi que a primeira sopinha dela, tinha de ser feita por mim. Posso dizer que foi a minha primeira sopa, nunca até então tinha feito uma. No Brasil, talvez por causa do calor, não existe o hábito de consumir sopa. Achei que a “ciência” de fazer uma, não devia ser assim tão complicada. Por isso a primeira sopa, foi a sopa “milagre da Lua” (gargalhada geral). Ela comeu, não se queixou, então estava bom…”

    Como vive entre dois continentes, tenta simplificar os seus dias.

    Lisboa Rock…

    “Viver em Lisboa foi uma opção, eu me sinto portuguesa, parte da minha paixão passa pela cultura. A organização da sociedade é muito mais amadurecida, eu me identifico mais com tudo, sobretudo com o equilíbrio que se consegue”. Por isso, Roberta Medina quis desde o primeiro Rock in Rio Lisboa, em 2003, criar estruturas sociais e assumir um compromisso por um mundo melhor. Nasceu, por isso o Projeto Social do Rock in Rio, que se traduz no lema “Por Um Mundo Melhor”. Em causa estão medidas de promoção da inclusão social e de sustentabilidade ambiental – acções que, entre 2001 e 2010, justificaram o investimento de cinco milhões de euros por parte da organização do Rock in Rio. “Queremos que a Bela Vista, seja de todos, estamos agora a definir um projecto que vai ser mega, mas ainda não posso revelar mais nada”.

    E como a mote da nossa conversa andou sempre à volta dos tachos, Roberta diz-nos que a comida na cidade do Rock também é pensada. “Temos muito cuidado com o que servimos e tem de haver sempre alternativa vegetariana, para podermos responder a todos. Na edição de 2011, já tivemos uma loja de venda de fruta, quanto ao álcool só vendemos cerveja. Queremos que as pessoas se sintam bem em todos os momentos do evento e isso também passa pela alimentação”. 

    Roberta Medina, Risoto (27) (Custom)Curiosidades artísticas

    Na edição deste ano do Rock in Rio Lisboa, dias 23, 25, 30, 31 de Maio e 1 de Junho, comemora-se 10 anos desde o primeiro evento em Portugal. De então para cá, foram muitos os artistas que passaram pelos palcos da Belavista. Existe uma infinidade de coisas a acontecer ao mesmo tempo e alimentar todo o staff envolvido não é tarefa fácil. Alguns artistas têm exigências peculiares. Um dos pedidos mais excêntricos e difíceis de cumprir, foi o de Paul McCartney. “Ele não queria que houvesse carne em todo o recinto. Dá prá imaginar? Depois de muitas negociações, conseguimos manter a carne afastada do backstage, mas tivemos de lhe fazer uma cozinha nova e específica com todos os detalhes que ele pediu. Ao contrário do que se pensa, os artistas mais simples são os da pesada. Por exemplo, os Metallica são super zen, nada de álcool, só água e uma boa alimentação”.


    RECEITA – Risotto de abóbora com camarão

    Roberta Medina, Risoto (33) (Custom)

    • 45 minutos
    • 4 PESSOAS

    Ingredientes:

    • 300 g de arroz para risotto
    • 300 g de camarões
    • 300 g de abóbora
    • 1 cebola
    • 3 dentes de alho
    • 1 dl de vinho branco
    • 0,5 dl de azeite
    • 0,5 dl de conhaque
    • 1 cubo de caldo de legumes
    • Queijo parmesão ralado q.b.
    • Coentros q.b.
    • Sal e pimenta q.b.

    Roberta Medina, Risoto (32) (Custom)Preparação:

    Descasque e lave a abóbora, corte-a em cubinhos e leve-os a cozer em água temperada com sal. Retire-a, escorra-a e reserve-a.

    Ferva 1,2 L de água com o caldo de legumes. Entretanto, descasque a cebola e os dentes de alho e pique-os finamente. Leve um tacho ao lume com metade do azeite, junte a cebola e deixe refogar até que fique transparente. Adicione o arroz, envolva, junte o vinho branco e deixe cozinhar, acrescentando o caldo aos poucos e mexendo.

    À parte, aqueça o restante azeite numa frigideira, junte os dentes de alho e deixe refogar até que fiquem douradinhos. Adicione depois os camarões descongelados (alguns com casca e outros descascados), tempere com sal e pimenta e deixe saltear um pouco. Junte o conhaque e coentros picados e deixe ferver até evaporar o álcool.

    Quando o risotto estiver bastante cremoso, junte a abóbora e o camarão e envolva. Adicione queijo parmesão ralado, envolva novamente, retire e sirva decorado a gosto e com mais queijo parmesão ralado.

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