À Mesa com…Filipa Vacondeus

    À Mesa com…Filipa Vacondeus

    “A minha casa está sempre aberta e, na mesa, há sempre lugar para mais um.” – Filipa Vacondeus

    Manuseia os utensílios de cozinha com a mestria de quem sabe transformar simples ingredientes em manjar de reis. Tudo tem um propósito e finalidade, nada se perde, tudo se transforma é o seu lema desde há muito. Filipa Vacondeus é um nome incontornável da gastronomia portuguesa e um ícone no que toca a truques de poupança e economia do lar.

    Filipa VacondeusAos 81 anos de idade, Filipa Vacondeus consegue estar outra vez em alta. O programa “À Boleia da Filipa” que passa todas as segundas-feiras no canal 24 Kitchen, tem sido uma verdadeira revelação e surpresa. Filipa Vacondeus contracena com Filipa Gomes, ou será ao contrário? Não importa, as duas de gerações completamente distintas e aprendizagens opostas, partilham o espaço de antena na maior das sintonias e cumplicidades. A boa disposição das duas pontua o trabalho na cozinha. Desenvolvem os conteúdos com génese na gastronomia portuguesa e percorrem o país de lés-a-lés.

    Como é que tudo aconteceu, é simples: a paixão de Filipa Vacondeus pela cozinha é o ingrediente secreto para um programa de sucesso. “Sempre vi muita televisão e o 24 Kitchen, como é claro, é um canal que me interessa. Um dia estava em casa a ver o programa do canal com duas inglesas que percorrem o país de “sidecar” e pensei, se elas fazem uma coisa assim, porque é que eu não posso fazer uma coisa semelhante com outras pessoas?”

    Dito e feito, ligou para o canal pediu para agendar uma reunião, a conversa rolou, as ideias surgiram e o programa aconteceu. “Sempre fui muito humilde e directa e acho que as pessoas gostam de mim por causa destas características. Ao longo da minha vida tenho conseguido destacar-me e trabalhar por manter a humildade e ainda hoje, com esta idade, acho que posso aprender muita coisa.”

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    A revista…

    A cozinha faz parte da sua essência. Quando entrou na da TeleCulinária, sentiu-se um pouco numa cápsula do tempo. “A TeleCulinária foi a Bíblia das mulheres da minha época e o Chefe Silva um professor. Por isso, é um prazer estar aqui a partilhar com os leitores esta receita, rápida, saudável e económica. Esta revista fez escola e é também um manual de culinária tradicional portuguesa”.

    Filipa sempre gostou de cozinhar, mas nunca pensou que esta seria a sua profissão. Era secretária de administração numa empresa espanhola, mas um dia a vida sofreu uma reviravolta e tudo teve de ser repensado e estruturado. “Sabemos que a necessidade aguça o engenho e como fui obrigada a repensar a minha vida, decidi aproveitar os meus conhecimentos de culinária e meter mãos à obra. Nesse primeiro Natal que todos na família estávamos com muitas dificuldades, assim como muitos outros amigos, fiz uma série de ceias para vender para fora que foram um verdadeiro sucesso. Foi um desenrolar de acontecimentos. O meu marido era jornalista e um dia decidiu dar um jantar com imensa gente importante, políticos, economistas. Tive de fazer um bom jantar com muito pouco. Todos comeram bem e ninguém percebeu. Aí, aprendi a fazer bom com pouco. Truques que me ajudaram sempre a manter o equilíbrio das contas lá de casa. E foi assim que tudo começou, nunca mais parei.”

    Da cozinha para a televisão

    Devido à profissão do marido e ao cargo que ele teve em tempos na direcção do semanário “O Tempo”, Filipa pôde conviver com muita gente conhecida. Um dia, a jornalista Maria Elisa que já era directora de programas da RTP, foi jantar a casa de Filipa e no final, perguntou-lhe se não queria fazer um programa de culinária na televisão. “A minha vida sempre foi assim, a maioria das coisas surgiram por acaso, ou não (gargalhadas). Nunca disse que não a nenhum convite, sempre aceitei bem as críticas e nunca fechei a porta a ninguém. A minha casa está sempre aberta e, na mesa, há sempre lugar para mais um”. Estreou-se na RTP 1 com o programa “Cozinhar é Fácil”, um nome adequado a quem sempre soube fazer a multiplicação da comida com mestria e imaginação. O aproveitamento que fazia dos ingredientes, como a casca de batata ou o célebre cordel do chouriço para aromatizar, nem sempre foram bem entendidos por todos. Mas hoje, Filipa provou que em tempos de crise é preciso saber reinventar os sabores.

    Por ser tão especial e ter peculiaridades únicas, o humorista e actor Herman José caricaturou-a no seu programa “O Tal Canal” e daí nasceu outro convite. Filipa, participou no programa “Parabéns” e a parceria fez história.

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    Mesa de afectos

    Gosta de receber em casa. Partilhar a mesa é um prazer que lhe dá gosto, e também um modo de estar na vida, mesmo nos tempos mais difíceis a sua casa foi sempre porto de abrigo.  “A mesa para mim é espaço de afectos, de tertúlias, de confissões e de histórias. A seguir ao 25 de Abril, havia carência de muita coisa, foi nessa altura que aprendi a fazer receitas bastante económicas e a reinventar os conteúdos. Volvidos 40 anos, continuo a fazer a mesma coisa. Foi um hábito que me ficou e que tento passar para as pessoas. Agora, com este programa “À Boleia da Filipa”, as pessoas estão sempre a pedir-me dicas e truques de poupança e gosto muito de dar aos outros um pouco do que sei. É assim que a vida deve ser vivida…”

    Receita elaborada no estúdio da TeleCulinária em Junho de 2014.


    R.R. Mexilhão

    R.R. Mexilhão

     Ingredientes:

    2 kg de mexilhões limpos

    4 fatias pão fritas ou torradas

    3 cebolas grandes

    4 dentes de alho

    1 dl de vinho branco

    1 colher (sopa) de azeite

    4 colheres (sopa) de colorau

    1 molho de salsa

    Sal e pimenta q.b.

     

    Num tacho largo e fundo, disponha os mexilhões em camadas, intercalando com as cebolas às rodelas, os alhos esmagados, os ramos de salsa, o colorau, o azeite, sal, pimenta e o vinho branco.

    R.R. Mexilhão

    Leve ao lume médio e deixe cozinhar até os mexilhões estarem todos abertos e o molho ficar homogéneo.

    Sirva acompanhado com as fatias de pão torradas ou fritas.

    Curiosidade: R.R. Mexilhão era um pregão que nos anos 50 ecoava por Lisboa nos meses que tinha r. As peixeiras andavam de canastra à cabeça ou à cintura a gritar R.R.Mexilhão, era uma forma de dizer às pessoas que se podia comer mexilhão, pois o mês tinha r e por isso o marisco estava bom.

     

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